| A construção histórico-social dos sexos: o gênero Desde os primórdios, a racionalidade, a linguagem e a espiritualidade são fatores determinantes na construção do ser humano. Ela se incrementou poderosamente com a emergência há 2,6 milhões de anos do homo habilis, aquele ancestral nosso que já começa a usar de instrumentos rudimentares. A partir de agora tudo se historiza; o biológico é culturizado e a cultura biologizada; as forças que constroem sua existência concreta, como homem e mulher, se inter-retro-relacionam sobre a base ancestral do processo biogênico e sexogênico(1). 1. A diferença dentro da unidade:macho e fêmea Para onde quer que orientemos a análise, aparece a diferença dentro da unidade. Os estudos transculturais de fenomenologia sexual, de antropologia cultural, de psicologia diferencial e outros levantam um sem-número de dados a esse respeito(2). Em todos eles, o ser humano aparece sexuado masculino e femininamente seja em seu corpo que jamais é uma coisa, mas uma situação no mundo com os outros e diante dos outros, seja fenomenologicamente emergindo como ser-homem e ser-mulher como duas maneiras não exclusivas de ser dentro da realidade. Uma maneira de ser aparece como trabalho, agressão e transformação (atribuida ao masculino mas pertencendo também ao feminino)e outra, como cuidado, coexistência e comunhão com a realidade (referida ao feminino mas fazendo parte também do masculino)(3). Todas as diferenças remetem sempre à uma constante antropológica, comum a homens e mulheres. A diferença resulta da elaboração sócio-cultural desta base comum. Jamais o ser humano sexuado apresenta-se isolado de seu meio ecológico e sócio-histórico. Em consequência disso, todo o esforço de dicotomizar a complexa realidade humana em segmentos, só se justifica como objetivo da análise. Mas nunca se deve perder a consciência de que o segmento é parte de um todo. Na análise, por mais distinto que seja o enfoque, deve aparecer continuamente que a existência humana se articula sob duas formas, a feminina e a masculina. Tanto o homem quanto a mulher projetam, a seu modo, a existência, têm suas maneiras próprias de tecer as relações, costurar as rupturas existenciais e sociais e elaborar um horizonte utópico. 2. A dialética entre o biológico e o sócio-cultural Há três níveis do cérebro, surgidos sucessivamente ao longo da evolução, mas sempre imbricados uns com os outros dialeticamente(5). Eles se fazem presentes no nosso cérebro humano. O primeiro é o cérebro reptileano, emergido há 200 milhões de anos, quando do aparecimento dos répteis. Esse cérebro ancestral responde pela fisiologia da subsistência, pois organiza as reações mais espontâneas de nossa vida, sempre instintivas e pre-reflexas, desde a sexualidade reprodutiva e os movimentos digestivos e nervosos de defesa face a ameaças. O segundo é o cérebro límbico, surgido há 125 milhões de anos, com os mamíferos. É o cérebro dos sentimentos, da relação afetiva, do cuidado com a prole, da comunicação oral. Esse teve a mais longa duração temporal e estrutura fundamentalmente a profundidade humana, feita de pathos (sentimento) e eros (afeto). É o cérebro da dimensão de anima em todos os seres superiores. Por fim, há o cérebro neocortical que irrompeu com a consciência reflexa há três milhões de anos. Este é o mais recente e o que menos memória genética possui, quando comparado com seus predecessores. Ele responde pelo pensamento, pela fala e pela capacidade de abstração e de ordenação do ser humano. É fundamentalmente responsável pela dimensão de animus nos seres humanos, homens e mulheres. A sexualidade e o amor têm suas raízes profundas no cérebro límbico. Ele, de certa forma, é o mais importante no ser humano, pois por detrás de toda produção neocortical se escondem emoções do cérebro límbico. Há uma ressonância límbica em todo o aparato consciente, pois, os conteúdos neocorticais são imbuidos de pathos conferindo-lhes relevância e valor. Só o que passou por uma emoção e uma experiência marca indelevelmente a pessoa e permanece mentalmente como capital significativo e orientativo pelo resto da vida. Todos esses dados da biogênese influenciam poderosamente a organização da sexualidade humana. Tomemos, a título de exemplo particular, os hormônios e sua importância na diferenciação sexual(6). Sabe-se que os hormônios, especificamente, andrógenos pré-natais, operam uma diferenciação masculina e feminina de algumas porções do sistema nervoso central. Mulheres que sofreram, por exemplo, uma andogrenização fetal parecem resistir a uma socialização (considerada) feminina e mostram interesses e níveis de atividade tidos como adquados aos homens. Homens que sofrem de insensibilidade congênita aos andrógenos pré-natias, assumem caracerísticas comportamentais tidas nitidamente como femininas e se opõem a uma socialização dita masculina. É próprio do androgênio potenciar a agressão, enquanto o estrogênio a inibe. Os homens, produtores em maior quantidade de androgênio, são, por isso mesmo, muito mais predispostos à agressão, possuem uma massa muscular maior e um coração e pulmões de proporções mais avantajadas. A elaboração sócio-cultural desta diferença fez com que, por exemplo, se assinalasse aos homens tarefas mais ligadas ao perigo físico, à conquista territorial, à dominação e ao jogo do poder sobre outros. Estudos transculturais tem-no mostrado com certa generalidade. Da mesma forma, a estrutura biológico-hormonal da mulher, propendeu-a a tarefas ligadas à produção, conservação e desenvolvimento da vida. Seu investimento parental - isso se revela também nas fêmeas animais - é muito maior do que aquele do homem. Enquanto o homem possui uma sexualidade regionalizada, a mulher, é um corpo integralmente saturado de sexualidade (M. Foucauld). Esta diferença levou, no nível sócio-cultural, a outras formas de diferenciação que caracteriza transculturalmente homens e mulheres. Assim, por exemplo, as mulheres estão muito mais ligadas a pessoas do que a objetos. Mesmo quando têm a ver com os objetos, facilmente os transformam em símbolos e os atos, em ritos. O homem, por sua vez, está mais ligado a objetos que a pessoas e, no processo de produção, tende a tratar as pessoas como objetos (material humano). Mais ainda: os homens são inclinados a correr riscos, a conquistar status e poder com suas iniciativas e a afirmar-se individualisticamente, se possível, no topo da hierarquia. As mulheres, por sua vez, são mais centradas na teia de relações pessoais, entregues ao cuidado da vida, sensíveis ao universo simbólico e espiritual, capazes de empatia e comunhão com o diferente(7). Nas relações sexuais a mulher procura antes a fusão que o prazer, mais o carinho que o intercurso sexual. Precisa amar para fazer sexo pois não dissocia amor e sexo. O homem, por sua vez, dissocia, facilmente, amor do sexo, busca antes o prazer que o encontro profundo. O homem dá, a mulher é dom. A vestimenta na mulher é um comentário de sua própria beleza; o que coloca em seu corpo se transforma em objeto de contemplação para si e para os outros. Para o homem a vestimenta cumpre uma função objetiva de cobrir seu corpo e de qualificar seu status social, nem sempre associado à expressão estética. Evidentemente, não se trata nunca, convém repeti-lo, de uma dicotomia de comportamentos, mas de diferença de frequência e de intensidade nesses comportamentos que podem ser identificados em ambos os sexos. Nesse sentido, a variável do meio sócio-cultural é de se considerar atentamente, em particular, no que tange à distribuição do poder e das formas de participação, campo altamente conflitivo e, na história, organizado pelos homens em detrimento da mulher. Não se pode falar, propriamente, de uma programação genética fixa, própria para cada sexo (visão essencialista), mas de matrizes diferentes no homem e na mulher a partir das quais se opera a síntese com o meio sócio-cutural (construtivismo). Tanto as matrizes quanto o meio agem como co-causas. Pode-se agir sobre cada um dos pólos, especialmente, aquele do meio. Assim, por exemplo, se um meio sócio-cultural favorece a competitividade aberta, pode-se supor que nela o homem domine em quase todos os setores, marginalizando a mulher. Nossa sociedade de corte capitalista e altamente competitiva, oprime, estruturalmente, a mulher. Em sociedades nas quais se reduz a competitividade e se favorece a cooperação se dão condições de gratificar mais a mulher e menos o homem. Num meio igualitário, os papéis sexuais são geralmente mais igualitários, fraternais e sororais. Uma divisão social do trabalho menos binária produz também menores diferenças entre os sexos: os homens podem apresentar comportamentos mais femininos (marcados pela dimensão de anima) e as mulheres mais masculinos (marcados pela diemensão do animus). Investigações transculturais vieram confirmar este tipo de hipótese baseada na interação dialética entre o biológico e o cultural. O experimento moderno dos kibbutz israelenses é paradigmático para o problema em tela(8). Partia-se de uma crítica severa à distribuição rígidas dos papéis sexuais como se dão no sistema vigente patriarcal e de uma afirmação corajosa da igualdade entre os sexos. Os diferentes papéis eram tidos como meros artefatos sócio-culturais. O desenvolvimento concreto das relações fez com que se revertessem os papéis, antes tidos como tradicionais, não porque se negasse a igualdade dos sexos (ela continua sendo afirmada) mas porque se via em tais papéis, maneiras de maior realização pessoal e de plenificação seja para homens seja para mulheres. Concretamente, uma mulher se sente mais realizada cuidando de crianças do que manejando tratores e homens sentem mais plenitude construindo casas que entretendo crianças num jardim da infância. Como se vê, as diferenças acabaram por se impôr sem negar a igualdade de base entre homem e mulher. Outro fator de diferenciação encontra-se no excedente de energia sexual que o ser humano mostra(9). Nele, em distinção dos animais, não há periodicidade mas a presença constante do impulso. Essa situação biológica pode gerar um pansexualismo ou demanda uma orientação deste excedente energético para formas transfiguradas não diretamente sexuais. É então que surgem formas históricas, criações artísticas, caminhos espirituais, instituições e normas que ordenam as relações entre homem e mulher. Daí deriva a grande plasticidade e diferenciações nos vários papéis que o homem e a mulher irão desempenhar. Pode-se razoavelmente supor que em épocas ancestrais, em meio hostil, a espécie humana teve que lutar pela sobrevivência mediante a predominânia dos homens, dotados de mais agressividade e força. Em eras com meio mais domesticado e menos ameaçador da sobrevivência podiam florescer dimensões mais femininas, atmosfera propícia à predominância da mulher. Mas a história tem mostrado que o sexo serviu de suporte para a organização social e para a elaboração de valores. C. L. Strauss mostrou em sua monumental obra As estruturas elementares do parentesco(10) que a mulher aparece ligada, fundamentalmente, ao primeiro momento da passagem da natureza à cultura. A proibição do incesto consiste, positivamente, em estabelecer, entre os homens, um vínculo sem o qual não poderia elevar-se acima da organização biológica para atingir a organização social. As mulheres – os bens mais excelentes do grupo social – entram num circuito de circulação contínua. Elas são o dom por excelência, mediante o qual se realiza a troca que garante a subsistência do grupo como grupo. A mulher funciona, na regra social, como um sinal, semelhante a linguagem, sinal que realiza a sociabilidade. Embora fosse instrumentalizada e, de certa forma, objetivada para fins superiores aos individuais, ela continuava a manter, como pessoa, seu valor; é sinal, mas também produtora de sinais; há a percepção de que a mulher, de certa forma, além de servir de objeto para a sociabilidade não deixa de continuar sujeito e que, transformado em objeto, é ofendida e diminuida. Daí se entenderem muitos mitos segundo os quais no além as mulheres não seriam mais trocadas e instrumentalizadas, porque então já se vive “a doçura, eternamente negada ao homem social, de um mundo no qual se poderia viver entre si”(11). 3. O matriarcado e o patriarcado como instituições A natureza não é vista como um entorno a ser conquistado mas como uma totalidade da qual cada ser humano é parte e parcela e com a qual deve viver em harmonia, no respeito e na veneração. As instituições do matriarcado, caracterizadas por grande força integradora, foram tão significativas que se transformaram em arquétipos e em valores e como tais deixaram incisões na memória genética até os dias de hoje. Esses arquétipos e valores não pairam num imaginário vazio, mas são calcados sobre fatos históricos e políticos que esclarecem a consistência que guardam até o presente. A própria linguagem estaria associada ao trabalho civilizador das mulheres: “faz sentido que as mulheres que deram a luz à vida mediante a boca sexual ou vaginal, tenham também dado a luz à linguagem humana através da boca social ou facial”(14). O fim do matriarcado é situado, atualmente, por volta de 2000 a. C., variando nas datas de região para região. É fato histórico que a partir de então, o mundo começou a pertencer aos homens, fundando o patriarcado, base do machismo e da ditadura cultural do masculinismo(15). São obscuras as razões dessa passagem que demorou cerca de 1000 anos para se impor, perdurando ainda até os dias atuais. Provavelmente a vontade de dominar a natureza levou o homem a dominar a mulher, identificada com a natureza pelo fato de estar mais próxima aos processos naturais da gestação e do cuidado com a vida. O grave é que os homens conseguiram “naturalizar” essa dominação histórica, introjetá-la nas mulheres a ponto de muitas delas aceitarem tal situação como normal. Simone de Beauvoir fez de tal acontecimento histórico-cultural a crítica mais radical. A mulher representaria um caso particular da dialética imposta pelos homens, dialética do senhor-escravo, impedindo que ela expressasse sua diferença e elaborasse sua identidade(16). O homem fez dela a encarnação do outro, no qual se permite descobrir, confirmar e projetar o próprio eu. Todas as formas de antifeminismo antigas e modernas se baseiam nesta dominação do homem sobre a mulher. Suas expressões pervadem todos os níveis sociais também no seio das religiões e do cristianismo(17), constituindo o patriarcado como realidade histórioco-social e como categoria analítica. Como categoria de análise, o patriarcado não pode ser entendido apenas como dominação binária macho-fêmea, mas como uma complexa estrutura política piramidal de dominação e hierarquização, estrutura estratatificada por gênero, raça, classe e religião e outras formas de dominação de uma parte sobre a outra(18). Essa dominação plurifacetada construiu relações de gênero altamente conflitivas e desumanizadoras para o homem e principalmnte para a mulher (19). As relações de gênero, particularmente no seio da família, vêm marcadas pela guerra surda e, não raro, gritante dos sexos. Ela marcou os dispositivos psicológicos do relacionamento, minando a singeleza das relações e carregando-as de tensão, disputa e vontade de poder. Tais conflitos de gênero são de tal monta que dificilmente podem ser resolvidos por um casal, por exemplo, pois subjacente trabalha uma pre-história de sofrimento, de dominação e de tensões com milhares de anos de persistência. Só é possível uma convivência minimamente harmoniosa do casal mediante uma atitude vigilante de auto-crítica, capacidade de aceitação dos limites de um e de outro, uma ética transparente de benevolência e com-paixão e, não em último lugar, a espiritualidade como uma fonte permanentemente inspiradora de sublimações e de novas motivações. Mediante esta última dimensão, profundamente humana (não é monopólio das religiões) o ser humano reforça seu lado luminoso e melhor, capaz de integrar e curar seu lado sombrio e menor. A nova consciência instaurada já há mais de um século pelo feminismo carrega dentro de si um potencial crítico e construtivo da maior importância. O feminismo clássico e o pós-feminismo (que incluem na tarefa da libertação os homens e não só as mulheres) criaram o âmbito das utopias mais promissoras para a humanidade, dentro de um novo pacto sócio-cósmico, com uma democracia participativa e aberta, com uma relação mais equilibrada entre os gêneros e com uma integração benfazeja com a Terra. 1) Cf. Ohno , S., La base biologique des différences sexeulles, em Soullerot e outros, em Le Fait Feminin, Paris, Fayard 1978, 57-68; Ridley, M., Genetic Mutiny and Gender, em The Red Queen. Sex and the Evolution of Human Nature, Pinguin Books 1993,87-112. 2) Cf. Muraro, R. M.,A mulher no terceiro milênio, Rio de Janeiro, Rosa dos Tempos 1992; Id., Os seis dias em que fui homem, Rio de Janeiro, Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, Record 1990, 35-80; Seabra, Z. e Muskat, M., Identidade feminina, Petrópolis, Vozes 1985. D’Andrade, R. G., Sex differencies and Cutural Institutions, em Development of sex differences, Stanford 1966; Diamond, M. A., A Critical Evaluation of the Ontogeny of Human Sexual Bahavior,em Quart.Review of Biology 40( 1965) 147-175; Weedon, C., Feminism, Theory and the Politics of Difference, Oxford/Malden, Blackwell 1999, 26-50; McMahon, A., Taking Care of Men. Sexual Politics in the Public Mind, Cambridge, Cambridge University Press 1999, 11-61; Braidotti, R., Nomadic Subjects. Embodiment and Sexual Difference in the Contemporary Feminist Theory, N. York, Columbia University Press 1994, 146-204. 3) Cf um clássico no assunto permanece ainda Buytendijk, F.Z. J., La femme. Ses modes d’être, de paraître, d’existier, Paris, Desclée de Brouwer 1967. 4) Boa apresentação do atual estágio das pesquisas se encontra em Kingsley, B., An Evolutionary View of Women at Work, Londres, Weidenfeld&Nicolson 1998, 27-36; cf. em favor dessa tese Sayers, J., Biological Politics. Feminist and Anti-Feminist Perspectives, Londres, Tavistock Publications 1982. 5) Veja alguns títulos orientativos: Calvin, W., The Celebral Symphony, Nova York, Bantan Books 1990; Dennet, D., Kinds of minds, Nova York, Basic Books 1996 (em português, Tipos de mentes, Rio de Janeiro, Rocco 1997); Mundale, J, How do you know a Brain Area when you see one? A Philosophical Approach to the Problem of Mapping the Brain and its Implictions for the Philosophy of Mind Cognitive Science, St. Louis, MO, Washington University Press 1997; Teixeira, J. F, Cérebros, máquinas e consciência, São Carlos, EDUFUSCAR 1996; Id., Mente, cérebro e cognição, Petrópolis, Vozes 2000. 6) Cf. Reinisch, J. M., e outros, Hormonal Contributions to Sexual Dimorphic Behavioral Developments in Humans, em Psychoneuroendocrinology 16(l991) 213-278. 7) cf. Guitton, J., Feminine Fulfillment, N.York, Paulist Press Deus Books 1965, 3-8. 8)Tiger, L. e Shepher J., Women in the Kibbutz, N.York, Harcourt Brace Jovanovich 1975. 9) Cf. Plomin, R., Nature and Nurture: an Introduction to Human Behavioral Genetics, Pacific Grove, CA, Brooks/Cole 1990. 10) Petrópolis, Vozes l976. 11) Id., 537. 12) O clássico livro sobre o matriarcado é do antropólogo e historiador suiço Johan Jakob Bachofen de 1861, Das Mutterrecht; importantes são as contribuições a partir de 1986 da Academia para a Pesquisa crítica e para a Experiência do Matriarcado, publicadas por Heide Göttner-Abendroth, Das Matriarchat I e II, Stuttgart 1988 e 1991; bom resumo da pesquisa, veja o artigo da autora, Matriarchatsforschung heute. Herausforderungen an beide Geschlechter, em Moltmann-Wendel, E. (org), Frau und Man. Alte Rollen – Neue Wege, Düsseldorf, Patmos 1991,103-115; Sjöö, M. e Mor, B., The Great Cosmic Mother. Rediscovering the Religion ond the Earth, San Francisco, Harper San Francisco 1991; Walker, B. G., Restoring the Goddess. Equal Rites for Modern Women, N.York, Prometheus Books 2000; Rae, E., Women, the Earth, the Divine, N.York, Orbis Books 1994; Daly, M., Beyond God the Father: toward a philosophy of women’s liberation, Boston, Beacon Press l978; Easlea, B., Science and Sexual Oppression: Patriarchy’s Confrontation with Woman and Nature, Londres, Weidenfeld and Nicholson 1981;veja o belíssimo livro de Harvey, A. e Baring A., The Divine Feminine. Explorind the Feminine Face of God around the World, Berkeley CA, Conari Press 1996. 13) Veja a referência bibliográfica na nota anterior. 14) Sjöö, M., The Great Cosmic Mother, op.cit. 39. 15) Veja Lerner, G., The Origin of Patriachy, New York, New York University Press 1986; Muraro, R. M., Homem/mulher. Início de uma nova era. Uma introdução ao pós-patriarcado, Rio de Janeiro, Artes e Contos 1994 e ainda os verbetes com bibliografia atualizada The Icon Critical Dictionary of Feminism and Postfeminism editado por Sarah Gamble, Kent, Icon Books 1999; Schaef. A. W., Weibliche Wirklichkeit. Frauen in der Männerwelt, Munique 1991,Wilhelm Heyne Verlag 1991,103-149; Gutiérrez, R., O feminismo é um humanismo, Rio de Janeiro, Antares-Nobel 1985, 41-85; Montenegro, A., Ser ou não ser feminista, Recife, Guararapes 1981,11-18; Muraro, R. M., Textos da fogueira, Brasília, Letraviva 2000, toda a primeira e segunda parte. 16) Cf. a coleção de preconceitos sobre a mulher, em Starr, T., A voz do dono. Cinco mil anos de machismo e misogenia, São Paulo, Atica 1994; Schacht, S. e Ewing, D., Feminism and Men,N.York, New York University Press 1999; veja o convincente livro de Angier, N., Mulher: uma geografia íntima, Rio de Janeiro, Rocco 2000 onde a autora mostra como as mulheres são mais fortes, mais impregnadas de sensualidade, mais empreendedoras e com mais capacidade de se adaptar às mutações. Belo exemplo de uma feminilidade bem integrada que inclui a masculinidade encontramos na figura singular de Lou Andreas-Salomé que fascinou gênios como Nitszche, Rilke e Freud; veja o excelente livro de Gonçalves Ferreira, L., Humana, demasiado humana, Rio de Janeiro, Rocco 2000. 17) Ruether, R. M., Gaia and God. An Ecofeminist Theology of Earth Healing, San Francisco, Harper San Francisco 1992; Id., Women Healing Earth, Third World Women on Ecology, Feminism and Religion, N. York, Orbis Books l996; Bingemer, M.C., O segredo feminino do Mistério, Petrópolis, Vozes 1992; Tepedino, A. M., As discípulas de Jesus, Petrópolis, Vozes 1993 e toda a obra de I. Gebara, especialmente Rompendo o silêncio, Petrópolis, Vozes 2000 entre outras bem como toda a produção teórica, de grande consistência, de Elizabeth Schüsser-Fiorenza citada em vários lugares em nosso ensaio. 18) Veja as diferenciadas reflexões de E. Schüsser-Fiorenza: “O patriarcado: pirâmide de opressões multiplicativas”, em Pero ella dijo, Madrid, Editorial Trotta 1996, 151-159. 19) Veja o que relata Schüsser-Fiorenza em “As estruturas do patriarcado e o discipulado de iguais” no seu livro Pero ella dijo, op. cit. p. 243: “Um inquérito das Nações Unidas de l980 abrangendo 86 nações, incluindo os Estados Unidos,descobriu que as mulheres e as meninas, embora perfaçam metada da população mundial, realizam dois terços das horas de trabalho do mundo e recebem um décimo de renda mundial, sendo proprietárias de menos de uma centésima parte da propriedade mundial. De três analfabetos no mundo, dois são mulheres. A importação da tecnologia e do ‘desenvolvimento’ ocidental não melhorou o status econômico da mulher. Ao contrário solapa seus recursos econômicos tradicionais e sua influência junto ao público. O sistema patriarcal econômico é, além do mais, estigmatizado pelo racismo. Todas as estatísticas demonstram, consistentemente, que as mulheres de cor ganham menos que suas irmãs brancas. Sofrem pela opressão patriarcal três vezes mais, pois o racismo e a pobreza são economicamente aprovados pelo sexismo, uma vez que todos os homens americanos ganham mais que todas as mulheres americanas”. Matt Ridley conta que a política chinesa de um filho só leva à morte l7% dos embriões femininos, pois para a sociedade se preferem homens. Num hospital da India, mulheres testemunharam que 97% de abortos são de meninas enquanto os meninos nascem na proporção de 100%, cf. The Red Queen, Sex and the Evolution of Humanan Nature, Pinguin Books 1993, 122; veja também Moreira Alves, B., Ideologia e feminismo, Petrópolis, Vozes 1980. |