| Metáfora do pós-moderno Nesta época do ano, em pleno inverno, irrompem em flores os ipês, as cerejeiras japonesas e os pessegueiros. Especialmente em cidades do sul do País estas plantas enfeitam ruas, avenidas e parques. Mas nem sempre o cultivo delas é feito no sentido da ecologia que é consorciá-las com outras companheiras ou plantas em ambientes adequados. Tempos atrás numa visita à minha família em Curitiba no Paraná encontrei grave agressão a um pessegueiro no famoso Largo do Rosário. Num canto, solitário, via-se que sofria de descuido e abandono. Enquanto minhas irmãs sorviam um sorvete de frutas, eu tomado de compaixão budista, assumi as dores do pessegueiro. Mais ainda, vi nela uma metáfora. Num guardanapo, escrevi versos que intitulei: E respondeu sorrindo. Pessegueiro? Sim, o pessegueiro. Não é uma metáfora da condição humana na pós-modernidade? Não é semelhante ao pessegueiro, solitário e cortado de toda relação cordial? Mesmo assim o pós-moderno, como o pessegueiro, é também ele desafiado a ser humano, na medida em que consegue tirar sorrisos de suas penas e flores de seus infortúnios: simplesmente florir e florir.
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